The Georgia Satellites – os labregos do southern rock

December 31 2009 one Commented

Já disse antes que ouço todo o tempo de música e quase toda me dá prazer ouvir. Excepções são poucas: folclore (e não música tradicional), pimba, música latina (ainda nem sei o que é isso) e algumas pasteladas de dança para discoteca rural de matiné de Domingo. Quanto ao resto, engulo de quase tudo, desde ópera ou música de câmara até ao grindcore ou death metal; ou, noutra rota, desde a música do mundo até ao trance ou electro-industrial. Contudo, houve uma fase da minha vida – de sensivelmente um ano – em que, no carro, quase só ouvia rock e blues-soul-rock tipicamente americano. Alguns exemplos: The Kentucky Headhunters, Southside Johnny And The Asbury Jukes, Lynyrd Skynyrd, The Black Crowes, Stevie Ray Vaughan e, entre muitos outros, os The Georgia Satellites. Isto terá sido há mais ou menos vinte anos. Curiosamente, foi nesta altura que comecei a deixar de frequentar a praia para abraçar a montanha. Assim sendo, dei muitas vezes a ouvir a minha música às vacas barrosás e às cabras e ovelhas do Gerês. Já os garranos, nervosos e assustadiços, preferiram sempre guardar uma razoável distância de segurança – do ponto de vista equídeo.
Uma banda que me acompanhava sempre chamava-se The Georgia Satellites e, como se adivinha, são do estado americano da Geórgia – neste caso, da gigante capital Atlanta. Chegados aqui, mesmo que vocês não conheçam a banda, já podem adivinhar que tipo de som eles praticam: o som que os rednecks (os parolos, muito simplesmente) mais gostam e que muitos acusam de ser racista, mas não é de todo verdade sendo, isso sim, um perfeito disparate. Chega de suspense: falo do southern rock, pois claro. Os The Georgia Satellites são um grupo de labregos americanos que fizeram de mim o labrego que sou hoje. Digamos que, no meu caso, eu seria um Redneck For Obama.
A banda formou-se em 1980 e gravou uma demo de seis temas no Axis Studio em Atlanta. Eram formados pelo carismático Dan Baird (voz e guitarra), Rick Richards (guitarra) Dave Hewitt (baixo) e Randy Delay (bateria), o qual viria a morrer, vítima de cancro, em 1991. Nos primeiros tempos houve várias alterações temporárias de line-up, sem que isso perturbasse o amadurecimento que a banda estava a conquistar. Só que, bandas rock nos Estados Unidos são como drogados num parque de estacionamento: para onde quer que olhemos há sempre uma data deles. Por isso, os The Georgia Satellites não saíam da cepa torta até o manager inglês Kevin Jennings ter mostrado a demo a uma pequena editora do Yorkshire, a Making Waves. Sem mais demoras, os trabalhos até aí disponíveis em demo, foram editados sob a forma de um EP de nome “Keep The Faith”, em 1985. Depois de Dan Baird acabaria por se juntar aos Hell Sounds, o que, rapidamente, conduziria à reforma dos The Georgia Satellites.
Já em 1986, a Elektra assina um contrato com a banda, que gravou o primeiro álbum em Atlanta, nos Cheshire Studios. O álbum, homónimo, foi um sucesso tremendo, repleto de canções rock candidatas a trepar os tops. E assim foi. A MTV deu-lhes bastante tempo de antena e o maior cartão de visita da banda, “Keep Your Hands To Yourself” (hoje um clássico) chegou a nº 2 da Billboard, batido apenas por um rapaz de Filadélfia e filho de imigrantes italianos, de seu nome Jon Bon Jovi.

Em 1988 gravam uma cover para o filme Cocktail, de um velho clássico de 1964, o contagiante “Hippy Hippy Shake”, original da autoria de The Swinging Blue Jeans. Foi também em 1988 que saiu o segundo álbum, de nome “Open All Night”, que trazia outra cover, esta de Ringo Star, para o tema “Don’t Pass Me By”. Contudo, a banda elevara a fasquia muito alta no primeiro disco e este não alcançou o sucesso do anterior. Nem o terceiro conseguiu, editado um ano depois e intitulado “In The Land Of Salvation And Sin”. Apesar das críticas positivas, o sucesso comercial não correspondeu às expectativas e em 1990 Dan Baird abandona a banda numa tentativa de lançar uma carreira a solo. Em 1993 os restantes The Georgia Satellites avivam a memória com a compilação “Let It Rock: The Best of the Georgia Satellites” que, para além de incluir os maiores êxitos da banda, tinha também temas do EP “Another Chance”, de 1989, e uma versão ao vivo de “Let It Rock”, de Chuck Berry. Já em 1997, editam o álbum “Shaken Not Stirred”, que não incluía na formação Baird e Magellan, que haviam sido substituídos por pelo baterista Billy Pitts e pelo teclista Joey Huffman. O disco continha material original e algum regravado e que já havia sido incluído em trabalhos anteriores. Pouco tempo depois a banda separou-se.

No final da década de ‘90, Mauro Magellan foi para o Wisconsin onde se juntou aos The Crashers. Tocou igualmente nos dois álbuns a solo de Dan Baird e acompanhou-o ao vivo no seu projecto Dan Baird & Friends, também conhecidos por Homemade Sin. Por seu turno, Dan Baird é também um membro do grupo country Trent Summar & The New Row Mob. Já Rick Richards, ainda no tempo dos The Georgia Satellites, arranjou tempo para tocar nos The Ju Ju Hounds, a banda do antigo guitarrista dos Guns’n'Roses, Izzy Stardlin. Ao todo, gravaram sete álbum, mas nem todos foram editados.

Como estou a escrever isto a 31 de Dezembro, propunha recordar um video gravado há exactamente 22 anos, na passagem de ano de 1987 para 1988, em Nova Iorque. É o hino “Keep Your Hands To Yourself”. Toca a soltar o gado.

One Response to “The Georgia Satellites – os labregos do southern rock”

  1. Boas :)
    Quero-te agradecer pelo teu comentario.
    Tu das um enorme contributo à musica.
    Seja ou nao reconhecido o esforço, continua. NUNCA , MAS NUNCA desistas.
    Força nisso.

    perfeito-vazio.blogspot.com

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