W.O.W. – A Rainha do Shock Rock

Wendy Orleans Williams ou Wendy O. Williams nasceu em Webster, Nova Iorque a 28 de Maio de 1949. Com apenas 16 anos foi à boleia até ao Colorado, onde ganhou algum dinheiro a vender biquinis.
Mudou-se depois para a Florida, até atravessar o Atlântico para trabalhar como cozinheira macrobiótica em Londres e bailarinha num grupo de dança cigana. Em 1976, já de regresso a Nova Iorque deparou-se com um jornal aberto no chão da estação Port Authority Bus Terminal. Um anúncio despertou-lhe a atenção. Era um pedido de casting efectuado por Rod Swenson, anti-artista radical e graduado na Universidade de Yale, para o seu “Captain Kink’s Theatre”. Wendy respondeu e começou aí uma relação de 22 anos. Pouco tempo depois surgiria na cena norte-americana uma das mais controversas e mal-amadas bandas da cena punk-metal, os Plasmatics liderados pela irreverente vocalista Wendy. A banda encetou actividades em Nova Iorque em 1978 e rapidamente tomou de assalto o underground de uma América profundamente conservadora. A 19 de Janeiro de 1981, Wendy seria presa e violentamente agredida pela polícia de Milwaukee depois de, alegadamente, ter simulado sexo com um martelo em palco. No final do concerto, a polícia deteve Wendy e agrediu-a até ao estado de semi-consciência, deixando-a gravemente ferida e descaracterizada. Rod Swenson, seu companheiro e manager dos Plasmatics, partiu em seu auxílio, mas a polícia arrastou-o até à traseira de um carro, onde o agrediu com gravidade até ao estado de insconsciência. Não obstante os testemunhos, fotografias tiradas por um fotógrafo e as marcas no corpos dos dois companheiros, a polícia alegou mais tarde em tribunal que não os havia agredido. O próprio tribunal tentara tudo por tudo para não mediatizar o julgamento, mas imensas pessoas que testemunharam as agressões e muitos fás solidários com Wendy viajaram mais de 2500 km para protestar pela acusação e apoiar a banda. Pouco tempo depois, Wendy aparece num espectáculo em Cleveland coberta apenas com creme de barbear que se foi dissipando ao longo da noite. Valeu-lhe nova detenção e processo. Os concertos nos dias seguintes seriam cancelados, em virtude de Wendy se encontrar na prisão ou voltar a ser presa depois de colocada em liberdade. Este seria o primeiro de muitos graves incidentes que os Plasmatics tiveram de enfrentar no seu país natal, o que veio a aumentar a mágoa que Wendy sentia, cada vez mais, pelo mundo, os seres humanos e a América conservadora em particular. Contudo, este ódio que sobre ela se abateu só a inspirou para, na vertente lírica chamar os bois pelos nomes. “Pig Is A Pig” foi um tema dedicado às autoridades do Milwaukee e, segundo os Plasmatics, “aos demais fascistas por todo o lado” e na sua cidade natal destruiu um cartaz com a inscrição “Stop The Gestapo!”. Ainda antes disso, a Europa recebeu-a com um concerto esgotado em Milão, onde Wendy actuou com o nariz partido, vários pontos no corpo e pisaduras expostas, ainda a recuperar das agressões no Milwaukee.
Durante toda a carreira, os Plasmatics enfrentaram uma oposição feroz por parte das autoridades americanas, sendo perseguidos inúmeras vezes mais. Wendy voltaria a ser presa e condenada em tribunal, mas isso nunca a fez desistir das suas performences que, ao vivo, incluíam a destruição de cenários com martelos e motosseras e explosões de carros. Era frequente Wendy aparecer em topless nos concertos, até decidir evitar mais detenções, tapando os mamilos com fita isoladora. Essa é, aliás, uma das imagens de marca dos Plasmatics e de Wendy, assim como o seu famoso corte de cabelo moicano, A Wendy atribui-se a introdução desse estilo na cena punk americana. Num programa inglês de televisão (“Tom Snyder’s Tomorrow Show”), os Plasmatics fizeram explodir um carro em pleno estúdio e em directo, o que lhes valeu uma interdição na televisão inglesa.

Wendy permanece uma lenda vida da cena punk e metal underground internactional. Títulos não lhe faltam: “Queen of Shock Rock”, “Queen of Punk,” “Dominatrix of the Decibels”, e “High Priestess of Metal”. Não são muitas as pessoas alvo de culto da cena punk e metal em simultâneo. Com os Plasmatics, Wendy O. Williams gravou 5 álbuns: “New Hope for the Wretched” 1980), “Beyond the Valley of 1984″ (1981), “Coup d’Etat” (1982), “Maggots: The Record” (1986) e “Coup De Grace” (2000). Os Plasmatics e Wendy O. Williams colaboraram ainda com outros projectos, destacando-se a prestação com os Kiss e Motorhead. Editou ainda quatro álbuns a solo: “W.O.W.” (1984), “Kommander Of Kaos” (1986), “Deffest And Baddest (with Ultrafly And The Hometown Girls)” (1987) e “Fuck You!!! And Loving It: A Retrospective” (1988). Teve ainda uma curta carreira como actriz em séries e filmes, tendo aparecido, inclusivé, na série McGyver. Em 1991 Wendy O. Williams mudou-se para para Corrs, no Connecticut, onde abriu uma clínica de reabilitação animal e uma loja de comida saudável na vizinha localidade de Manchester. Durante a sua vida, Wendy O. Williams foi sempre uma activista dos direitos dos animais, vegetariana assumida e defensora da vida selvagem. Nessa altura afirmou estar “farta de trabalhar com as pessoas”. Teve uma vida mais calma com o seu companheiro Rod Swenson até se suicidar em 1998, com a idade de 48 anos. Numa área arborizada vizinha, Wendy decidiu terminar a sua vida com um tiro, deixando uma nota justificativa da sua decisão trágica, desiludida com o mundo mas alegando estar em paz consigo mesma. O mundo perdia uma das mais carismáticas figuras femininas da cena punk/metal, mas ganhava definitivamente uma figura de culto. Lemmy, dos Motorhead, dedicou-lhe oficialmente um tema, de nome “No Class”. Proponha recordar o video “The Damned” datado de 1982, que a nossa RTP, alheia a polémicas, exibiu imensas vezes no início da década de ‘80.