Heidi Berry – zero grammys
Como muitas pessoas, eu fui recentemente fustigado com as notícias sobre os grammys. Durante um dia ou dois não houve jornal ou órgão audiovisual que não falasse nisso ao ponto de já me irritar tanta informação redundante. Era prémios que nunca mais acabava: o melhor disto e o melhor daquilo, tudo somado lá elegeu os melhores da música popular. E devem mesmo ser os melhores, porque ganham sempre os mesmos todos os anos. Logo, são os melhores que se mantêm melhores. Mas este ano houve até umas raparigas que ganharam pazadas de prémios: a melhor intérprete, a melhor canção, o melhor álbum, a melhor… sei lá. Acho que uma delas até ganhou sete grammys, o que sempre pode dar para ela vender alguns no Ebay. Mas assim, com sete de uma vez, não há dúvida que ela é mesmo a melhor. Sim, porque vai haver por aí alguns bota-abaixo que vão logo dizer que os promotores destes prémios, mais as companhias discográficas, mais os promotores e produtores dos artistas, mais as cadeias de televisão e até as agências de modelos (sim, algumas também ganham a vida nisso, mesmo sendo as melhores cantoras) têm todos interesses económicos comuns e muitos até pertencem aos mesmos grupos. Por outras palavras: os patrões são os mesmos ou, como diz o povo maldizente, “É tudo farinha do mesmo saco”. Eu não digo isto, mas apenas cito e faço-o aqui; se o fizesse num qualquer fórum público aqui na internet, apareciam logo de tudo quanto é canto e à boa maneira lusitana, cardumes de vozes a chamarem-me uma coisa: invejoso.
Pois bem, uma cantora que não vale nenhum (nunca ganhou nenhum grammy) é uma das minhas vozes preferidas – sou mesmo um parolo, não sou? A cantora chama-se Heidi Berry e nasceu em Boston, no Massachussets, sendo filha de uma cantora de jazz. A pequenita Heidi cedo desenvolveu o gosto pelo canto, mas optou antes pela folk-pop. Ainda na adolescência mudou-se com a mãe para Inglaterra e foi a partir de então que começou a sua carreira musical. Em finais da década de ‘80 começou as suas gravações para uma editora independente inglesa, a Creation Records (em 1987 editou o EP, “Firefly” e em 1989 o LP, “Below the Waves”). A música folk introspectiva, emocional e calma de Heidi Berry não era, de todo, uma tendência naqueles tempos em Inglaterra, mas a diferença acabou por se fazer notar nos meios alternativos, tendo despertado o interesse da carismática edtora 4AD. Nos álbuns que se sucederam, já na década de ‘90, Heidi Berry expandiu a sua folk envolvente a cativante, também com a ajuda do seu irmão, o violinista/guitarrista Christopher Berry, o que lhe permitiu expandir mais o seu cunho pessoal, fazendo uso de cores celtas tradicionais, ícones índios, elementos de piano mais antigos e alguns elementos modernos. “Pomegranate” saiu em 2001 e é uma espécie de retrospectiva de Heidi Berry na 4AD, resumindo cinco álbuns e retratando a sua evolução artística. Um dos temas incluídos neste trabalho é, porventura, o mais conhecido: uma versão surpreendente de “Up In The Air” dos norte-americanos Hüsker Dü. O tema saiu originalmente no álbum de 1991, de título “Love”, talvez o mais marcante álbum da cantora e uma peça essencial. É um disco verdadeiramente delicioso, uma mão amiga que nos abraça e acarinha. Digo eu…
Aqui fica o video para “Up In The Air”. Sublime. Lindo, lindo, lindo.
E este não é menos. É o belíssimo “ The Moon And The Sun“
Actualmente, Heidi Berry vive no sul de Inglaterra com o seu companheiro e um inspirador gato preto. Repito que esta cantora nunca ganhou nenhum grammy e garanto-vos que não vai nunca ganhar algum.
Para a conhecerem melhor, aqui fica o site dela: http://www.heidiberry.com