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MEMÓRIA DA TV EM EPISÓDIOS

Uma das séries com maior sucesso dos anos 80, 'Dallas', vai ser adaptada para o cinema. Só isso demonstra como a memória de uma das épocas de ouro das séries que prendiam milhões de pessoas ao pequeno ecrã, nas sete partidas do mundo, não desapareceu. Ainda não se sabe quem interpretará o papel de ‘JR Ewing’, que Larry Hagman encarnou durante os cerca de 350 episódios que acompanhámos em Portugal enquanto roíamos as unhas para saber que intrigas ele tinha maquinado entre dois sorrisos. E no episódio em que iríamos descobrir quem matou ‘JR’, o mundo literalmente parou. E pediu a repetição, para ver os pormenores. (...)

(...) as séries continuam a ser dos programas que mais fidelizam espectadores que, uma vez por semana, esperam impacientemente pela sua série favorita. Os conteúdos das séries mudaram ao longo dos anos e comparar, por exemplo, 'Viver no Campo' com Eva Gabor (que está ser repetida na RTP2), com a sua ambiência rural norte-americana típica dos anos 50 e 60 e ‘NYPD Blues’ é quase impossível. Mas é isso que faz parte do seu fascínio, do culto que à volta de algumas se criou.

Os portugueses sempre foram muito marcados pelas séries americanas, que a partir dos anos 60 marcaram o ritmo das nossas noites televisivas. Algumas vezes séries francesas, brasileiras ou inglesas (quem não se lembra de algumas da BBC ou da Granada Television, nos anos 80, como 'Reviver o Passado em Brideshead' e 'A Jóia da Coroa'?), marcaram épocas, mas foram as americanas que ficaram na memória. Ainda haverá quem se recorde 'O Santo' (com o novíssimo Roger Moore), 'O homem da U.N.C.L.E.' ou esse sucesso que foram 'Os Vingadores', com o muito britânico Patrick McNee e Diana Rigg, que marcaram um dos momentos fortes da produção britânica em plenos anos 60. Os americanos respondiam à sua maneira com o universo dos rancheiros ('Bonanza' ou 'Chaparral'), das aventuras mais ou menos exóticas e familiares ('Lassie' 'Daktari' ou 'Casei com uma Feiticeira'), ou mesmo de antecipação científica, como 'Star Trek'.

Nos anos 70 continuaram as sagas típicas das duas décadas anteriores. Os públicos eram os mesmos e os jovens nascidos nos anos 50 e 60 estavam entretidos com a música 'pop' e 'rock'. Houve momentos, claro, que ficaram na memória. Quem é que perdia um episódio daquele detective interpretado por Peter Falk, que parecia ser incapaz de resolver algum crime, com o era 'Columbo'? E quem é que não estava apaixonado pelos assuntos da medicina com Richard Chamberlain em 'Dr. Kildare'? Mas a televisão começava a piscar o olho aos mais novos através de séries que falavam dos ritmos de quem se interessava pela música 'pop', como “A Família Partridge”. Um género que, nos anos 80, se alargaria com 'Fame', a célebre academia de músicos e actores que procuravam a ribalta. O mundo fora da Terra continuava a hipnotizar as televisões, como em 'Espaço 1999', sobre a colonização da Lua, onde as roupas que Martin Landau e os seus subordinados utilizavam nos parecem hoje ridículas. A série fez época mas não se tornou um culto, como 'Star Trek'.

Os anos 80 foram de verdadeira revolução. Não só os meios técnicos melhoraram a olhos vistos, permitindo séries mais arrojadas, como os argumentos se tornaram mais sérios e substanciais. Numa Inglaterra saudosa do Império, a Granada produzia duas referências televisivas: 'Reviver o Passado em Brideshead', segundo um romance de Evelyn Waugh, e 'A Jóia da Coroa', o fim do 'raj' indiano segundo o livro de Paul Scott. Ainda hoje apetece revê-las tal o cuidado posto no argumento e na recriação histórica. Ao mesmo tempo surgia “Sim, Sr. Ministro”, uma das mais corrosivas séries sobre o mundo da política de que há memória. Na mesma lógica surgiram depois séries inglesas onde o humor ácido é um grande trunfo: 'Monty Phyton', 'Allô, Allô', 'Black Adder', 'Fawlty Towers' ou a recente 'A Minha Família'. Mas era nos Estados Unidos que se preparavam as grandes alterações: não falemos, claro, do idílico 'Barco do Amor', nem das sagas 'Dallas', 'Falcon Crest' ou 'Dinastia', cujos tenebrosos dramas familiares mostravam um mundo onde nada era inocente.

As séries policiais trouxeram o realismo. Tudo muito por culpa de 'Hill Street Blues' (transmitida na NBC entre 1981 e 1987, foi traduzida, e mal, em português, para 'A Balada de Hill Street'). A série de Steven Bochco, com o ‘capitão Furillo’, trouxe os polícias para as ruas não muito agradáveis das grandes cidades. Os anos 80 foram uma forma de se baralharem de novo as cartas da ficção e de não saírem os mesmos trunfos. (...)

Mas nos Estados Unidos o surgimento da Home Box Office (HBO), da Fox e da CNN marcaria um novo ritmo para as televisões. 'Modelo e Detective', com Cybill Sheperd e Bruce Willis, tornar-se-ia uma série de culto para os então emergentes 'yuppies' e 'Cheers', o célebre bar, tornou-se um local onde todos gostariam de ir ao fim da tarde. Isto para já não falar de 'Thirtysomething' (transmitida entre 1987 e 1991 na ABC), que procurava ir ao encontro dos 'yuppies' que tinham vergonha de se olhar ao espelho. Surgiram, claro, séries que apenas tentavam atingir o mais vasto público, fosse pela beleza das actrizes ('Os Anjos de Charlie'), pela delirante conversa entre um homem e o seu carro ('Knight Rider' com David Hasselhoff), pela lógica da invasão extra-terrestre ('V'), pelo charme dos detectives ('Miami Vice' com Don Johnson), pela pura acção ('The A-Team' com George Peppard e o musculoso ‘Mr. T’) ou pelo simples delírio ('Alf'). Ao mesmo tempo que inovava, os anos 80 reencontravam os velhos conceitos.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL CORREIO DA MANHÃ / SETEMBRO 2003

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