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Os que ouvirem hoje com atenção a produção portuguesa, no campo da música moderna, têm justificadas razões para sentir contentamento. As coisas estão melhor, a confusão é muito menor que há tempos atrás, o trigo separou-se, naturalmente, do joio. Ao longo deste ano surgiram vários trabalhos que são justificados motivo de contentamento e de orgulho.

Depois de ter sido dada como morta e enterrada, há cerca de cinco anos, a música moderna portuguesa soube recriar-se e consolidar-se de uma forma que não dá para que se criem duvidas sobre de que lado está o valor, por onde anda a criatividade.

As boas ideias foram trabalhadas, ganharam corpo e são hoje, na maior parte dos casos, projectos já concretizados. Como sempre acontece quando à partida existem boas ideias e qualidade, a ousadia e a perseverança, que tantos grupos e artistas cultivaram ao longo dos anos, acabaram por dar bons frutos.

Inevitavelmente, alguns ficaram para trás; assiste-se a uma escolha natural do público - e como é regra quase sempre, o que tem muito público tem pouco interesse e pouco valor. Os que apostaram em jogar em todos os públicos acabaram por perder - e, se ganham a ilusão momentânea da popularidade, vão acabar por ficar defrontados com o vazio total quando passar a moda em que agora estão - é o que acontece (entre vários exemplos possíveis) com Lena d'Água que faz sem dúvida um dos melhores espectáculos em palco mas que na obra em disco não consegue ser convincente.

Os que trabalham à margem das modas e com objectivos concretos, pelo contrário, têm tendido a alargar a sua audiência, consolidando-a simultaneamente. Para citar apenas dois casos, entre vários possíveis, é o que acontece com os GNR e com os Sétima Legião - não transigiram nos princípios de actividade que traçaram, aperfeiçoaram-se e não se deixaram adormecer à sombra dos primeiros louros conquistados.

Grupos como os Mler Ife Dada, os Heróis do Mar, os Radar Kadafi, os Delfins, os GNR, os Pop dell'Arte, os Xutos & Pontapés, os Rádio Macau, os Sétima Legião e artistas como Anamar fizeram, nos últimos 12 meses, discos que provam a vitalidade, a diversidade de estilos e a qualidade da música popular moderna portuguesa. Simultaneamente a música popular tradicional reencontrou energias inesperadas no novo disco dos Trovante, no disco-estreia de Mafalda Veiga e, sobretudo, ousou percorrer caminhos excitantes e por descobrir como acontece naquele que porventura é o melhor disco português gravado desde que este jornal existe - desde há três anos. Falamos do duplo-álbum dos Madre Deus, um exemplo de coragem, conhecimento e sensibilidade.

É curioso notar que grande parte destes grupos e destes projectos e destes artistas têm origem directa em duas editoras independentes que carregam nos ombros a glória e a responsabilidade de os terem descoberto: em primeiro lugar a já extinta Fundação Atlântica; e em segundo lugar a Ama Romanta. Sem elas, sem a oportunidade que abriram e que outras editoras depois exploraram (quase todos os grupos e artistas referidos assinaram já contratos com as chamadas grandes editoras), as coisas poderiam estar de forma diferente.

É necessário que aqui se reconheça, também o papel que salas como o Rock Rendez-Vous e o selo Dansa do Som têm tido na descoberta de propostas novas. Com todas as limitações que têm de existir numa estrutura que vive da descoberta, o Rock Rendez-Vous e a Dansa do Som têm uma quota importante dos louros nas vitórias alcançadas este ano. Pelo palco daquela sala e pelas gravações ao vivo daquela editora passaram quase todos os grupos portugueses, ali tiveram um local para se mostrarem.

Sem falsas modéstias, queremos também chamar a nós alguma responsabilidade na forma como as coisas se passaram. Desde o início nunca quisemos falar de toda a música portuguesa apenas por falar; preferimos - e ainda o fazemos - dar a conhecer e divulgar o que nos parece mais importante e decisivo, mais inovador. Talvez pudéssemos ser mais populares de outro modo, mas também teríamos menos alegrias.

ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL BLITZ EM NOVEMBRO DE 1987

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