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BRAGA

A Fábrica

Em 1978, a fábrica de móveis Gomes, em Sequeira, a 6 km de Braga, passou a ser refúgio da nova movida musical. O filho do empresário, que promovia teatro e artistas populares para angariar fundos para associações locais, quis levar grupos emergentes ao espaço, entretanto libertado, devido à mudança dos armazéns. Sem hesitar, Bino Gomes, hoje com 44 anos, aproveitou o espaço sem licença de instalações - o som saía pela janela e telhado - e recebeu, aos poucos, os ensaios dos Rciprestes, AuAuFeioMau, Xutos & Pontapés, Táxi, GNR e Ban, mesmo lutando contra o isolamento da freguesia, servida por duas carreiras diárias. A promoção era feita por cartazes pintados à mão, depois fotocopiados e colocados no Café Peninsular, junto ao liceu D. Maria II, onde os estudantes conversavam.

As actuações faziam-se com material alugado ou emprestado. "Improvisava-se sempre uma coluna. Nunca falhou um concerto, a vontade de fazer das bandas era muita", revala Bino. Não raras vezes, a GNR aparecia com agentes e cães, devido ao ruído. "Dizia-lhes que estava numa casa particular, em festa com amigos. A multa que pagava era mais barata do que a licença provisória a pedir no Governo Civil", sorri.

Há uma data histórica no Fábrica: 31 de Dezembro de 1981. A "Passagem de Ano Marginal" juntou WC, AuAuFeioMau, Firmino e Soren. A festa, ao estilo dos salões de Manchester e Liverpool, permitiu acentuar a oferta às sextas e sábados, misturando projecção de diapositivos e vídeos estrangeiros. O público era fiel (na sala cabiam 600 pessoas), boa parte do Grande Porto. O n.º 1 do "Blitz" fez referência ao bar.

Um dos grupos que lá actuaram foram os Xutos, com dois anos de carreira, que pediram a Bino para os receber de borla. Voltaram quatro vezes ao local, até 1986. Uma delas foi o concerto "mais longo" dos autores de "Contentores", diz uma biografia da banda. Passaram a ser acarinhados na cidade dos arcebispos, onde terá sido criado o seu símbolo, os punhos cerrados e braços cruzados levantados. Há anos que não falham a actuação na Queima das Fitas de Braga.

O Fábrica fechou com a concorrência de espaços centrais como o John Lennon - atraía, como clientes, Sérgio Godinho ou Luís Represas -, Deslize e discotecas como Clube 84, S. Pedro, Pacha, Sardinha Biba ou Barbieri.

Nuno F. Passos / Público 13-08-2004

«Em Braga, numa antiga fábrica de móveis, passam-se coisas interessantes.  Num espaço enorme, com lareira acolhedora, um video sempre a funcionar, pinturas nas paredes, dois bares. música e um pequeno palco têm-se visto muitos concertos, que animam bastante aquela zona. A iniciativa pertence a um ,«empresário» de 23 anos, que num fim-de-semana, organizou dois concertos: um com os GNR e outro com os Cosa Nostra, de Vigo. Bastante mais vão acontecer, por isso sugerimos. A quem passar por ali, que espreite este Rock-Rendez-Vous rural.» 

Blitz 12-02-1985

Deslize

O Deslize surgiu a 19 de Setembro de 1985, a trinta metros da Sé Catedral, aproveitando as instalações da "Tasca do Faria", que abriu em 1933 e, nos inícios dos anos 70, era das mais famosas, vendendo numa noite festiva uma pipa (500 litros) de vinho verde de Amarante. O largo da Sé era, aliás, conhecido pelas tascas, casas nocturnas e casas de prostituição, recorda o gerente do Deslize.

"Fiz o Deslize após o 'boom' cultural do primeiro mandato de [François] Mitterand, quando estive em Paris. Na Europa, arrancava uma conjugação de fenómenos estéticos e culturais, a 'new wave', com The Cure, U2. Havia bracarenses que iam a Paris, Berlim, Londres e queria juntá-los no regresso, para passarem o espírito à cidade", diz José Pinto, hoje com 53 anos.

O objectivo era, assim, um espaço que juntasse a lufada artística e intelectual, com animação regular de teatro, leitura, música e exposições. "O projecto acabou por acontecer. A clientela era vista como a 'esquerda marroquina'. A movida criativa era de esquerda, que fez o 25 de Abril nas universidades", atalha o proprietário.

O estabelecimento em formato corredor lotava com 80 pessoas e, nos anos 90, foi alargada uma área quadrada, ao fundo e à esquerda, onde decorrem os concertos. Por lá, cruzaram-se Pop Dell'Arte, Steve McKay e Mão Morta, que devem a sua mística ao vivo na relação com o bar. Aos balcões, encontravam-se José Mário Branco, Jorge Palma ou Rui Reininho.

O Deslize teve de enfrentar um problema persistente: as queixas de ruído. Não da Igreja, mas de três moradores, que todas as noites chamavam a polícia. Curiosamente, faziam-no em dias alternados, na fórmula "hoje queixo-me eu, amanhã é a tua vez", o que foi entendido para Pinto como "perseguição".

Em 2000, o estabelecimento teve restrição de horário, fechando às 24h, com base num estudo acústico do Governo Civil de Braga, que o laboratório de Ergonomia da Universidade do Minho (UM) viria a negar semanas mais tarde, com base na qualidade de isolamento de paredes e tecto. Mas críticas ao ruído acentuaram-se pela Junta de Freguesia da Sé e, em 2003, o bar fechou pela primeira vez em 18 anos. Veio a reabrir meses depois e, hoje, funciona apenas às sextas e sábados, recebendo os concertos até às 24h.

"O Deslize não é vergonha agora, mas era antes, nos anos 70. A vergonha de agora é este eleitoralismo e conservadorismo constante. Não é um problema de espaço mas de espírito", acusa José Pinto, que, "cansado do jogo político", passou a gestão do bar a outrém e foi para Paris. O estabelecimento foi "penalizado" porque "não há política para o centro histórico" nem área destinada especificamente a bares, levando a que a noite "seja mais uma oferta de serviço hoteleiro de bebidas".

"Acusam-me por criar um bar junto a uma igreja. E se fosse junto a uma mesquita, que é que me diziam? Isto só mostra as dificuldades de trabalhar em Braga, que está sem vida, com eventos raros", sublinhou ainda o proprietário, aguardando que o executivo do socialista Mesquita Machado, presidente da autarquia há 28 anos, "saia de pantufas e deixe entrar sangue novo".

Nuno F. Passos / Público 13-08-2004

PORTO

O Porto nunca foi a melhor cidade para acolher as bandas que por cá insistiam em aparecer. E isto desde o «boom» do Rock Português, em 1980. Lembro-me que o Solar da Cruz Vermelha, em Massarelos, foi por diversas vezes utilizado para albergar alguns acontecimentos musicais, bem como o Aniki Bóbó, que chegou a realizar entre portas alguns dos melhores concertos a que asisti na Cidade Invicta. Tudo isto, ainda assim, não chegava para as encomendas. E o saudoso Luís Armastrondo veio ocupar um lugar de destaque já que se tornava, em 1987, no primeiro local onde os concertos aconteciam todas as semanas. Foi bom enquanto durou. E, antes de ruir, o Porto pôde assistir, entre muitos outros, a concertos dos Mão Morta, Essa Entente, Entes Queridos, Seres, Melleril de Nembutal, Bramassaji, Terra Mar, Linha Geral, Cagalhões, Emílio e a Tribo do Rum, SPQR e Ocaso Épico.

Hugo Moutinho / Blitz 5-01-1993

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Luís Armastrondo

O Luís Armastrondo foi o espaço "institucionalizado" do Porto, «uma espécie de Rock Rendez-Vous do burgo», explica Carlos Vieira, programador oficioso da casa à época.

Tudo começou com a vontade de Manuel Sousa e João Faiões (organizadores do 1º Festival Nacional de Música Rock) de animarem o bar no mesmo edifício da sala de ensaios dos Bramassaji e Jig. Depois de ter «essencialmente jams», a «paixão pela Música Moderna Portuguesa» deu origem a concertos com regularidade semanal. A lista de nomes é extensa: Mão Morta, Repórter Estrábico, Essa Entente, Sitiados, entre outros.

No Natal de 1990, uma enxurrada desmoronou o morro traseiro sobre o edifício. O entretanto Louis Armstrong desapareceu com o estrondo.

"As Casas da Música", textos de Ana Ventura e Eduardo Sardinha / Blitz 04-10-2005

Manuel Sousa + Nicolino Ribeiro + Luís Freixo +

Café-concerto da ribeira. O programa "Obsessão" da RUP chegou a organizar espectáculos de música moderna com nomes como Essa Entente, Seres, Requiem Pelos Vivos, Ella Sing, Bramassaji, Linha Geral e muitos outros.

Neste local realizou-se o 1º Festival Luso Galaico que teve como vencedores os General Inverno. Nos lugares seguintes ficaram Easy Gents e D'age.

A partir do fim de 1988 o local mudou de nome para Luis Armstrong.

O 2º concurso foi cancelado devido ao fecho do espaço após o desmoronamento do local. Os Último Reduto foram a última banda a actuar no Armastrondo (ou Louis Armstrong como dizia nos cartazes), dois dias antes do edifício se desmoronar.

*

"Concertos memoráveis de General Inverno, Melleril de Nembutal, Ocaso Épico, Bramassaji, etc."

José Costa (Banzé Management)

*

LISBOA

O Rock Rendez Vous situava-se na Rua de Beneficência ao Rego, no local ocupado anteriormente pelo Cinema Universal. A inauguração do espaço foi em 18 de Dezembro de 1980.

Mais

OUTROS

Azenha d. Zameiro (V. Conde)

*

"concertos inesquéciveis de Orfeu Rebelde, Ecos da Cave, Lex Injusta, 1ª aparição em palco de Paulo Praça (Ulisses Covarde e os Heróis), etc"

José Costa (Banzé Management)

COMENTÁRIOS

momentos marcantes em concertos excepcionais [retirado do FórumSons]

- Ocaso-Épico-mais-uma-o-caralho-mais-dez (RRV)

o farinha master e a sua escarradeira, o dizer "mais uma não, mais dez caralho. Vem um gajo do Algueirão para aqui, tem uma trabalheira do caralho a montar isto e só toca mais uma?"

- M'as Foice de fato e gravata (o Mário Guia um carro... )  (RRV)

Os gajos dos M'as Foice fodidos com o Mário Guia que lhes fez pagar a limpeza do chiqueiro que tinham feito num concerto anterior e foram para lá de fato de cerimónia e com mulheres a dias a limpar a sala...

- Mão Morta (quando o Adolfo se corta) (RRV)

o adolfo a gritar sede de sangue e a cortar-se etc etc etc

- M'as Foice na noite em que rebenta a a primeira guerra EUA/Iraque (JG)

- Seres de Linda a Velha (JG)

GERAL

Boom do Rock Português (ou do rock cantado em português): Começou a explodir com os concertos internacionais, pois os grupos locais faziam sempre a primeira parte. Era moda e estava na moda.

"On The Road Music": A primeira empresa só de concertos de rock existente em Portugal. O primeiro Concerto foi com os Tubes, a 7 de Julho de 1979, no Pavilhão do Dramático, em Cascais. Logo a seguir vieram Dr. Feelgood, Stranglers, Metro, Gato Barbieri, Elvis Costello e tantos outros. Uma empresa que já não existe e que tentou, de uma forma, regular e constante, organizar concertos de rock em Portugal: agiu mais em Lisboa, Cascais, Porto e fez algumas tentativas no Algarve. Muitas pessoas coleccionaram (e coleccionam) bilhetes dos Concertos.

Luís Vitta / Blitz 14-05-1985

No último semestre de 1979 e nos primeiros anos da década de 1980, a On The Road Music trouxe a Portugal artistas como Tubes, Stranglers, Dr. Feelgood, Gato Barbieri, Wilko Johnson, Elvis Costello, Camel, etc.. Os concertos realizavam-se em locais como o Pavilhão do Belenenses, o Pavilhão de Cascais e o Pavilhão do Infante de Sagres, no Porto. Nas primeiras partes tocaram grupos como UHF, Xutos & Pontapés, Aqui d'El Rock.

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