Os Resonant nasceram em maio de 2024 e são formados por:
• José Henrique Almeida: samples, voz, edição de som e produção (JH-Lab, Floating, Coro “Novus-Cantus”, Seres, Mind Reset, Canto dos Lírios, Poplavk, Edelvaisse, etc.).
• Paulo De Mendonça: guitarra elétrica, teclas, voz (The Drowning Men, Coro “ComSonante”, Mind Reset, Os Vultos e os DelDuques, Geração X, etc.).
• João Proença: guitarra elétrica e guitarra portuguesa (Poplavk, Estados Alterados, etc.).
• Bruno Silva: baixo.
• Ana Mila: voz convidada nos temas “Mulheres e Águas” e “Se o meu corpo fosse um rio”
Os seus temas navegam pelos ambientes alternativos da pop-rock, onde se podem ouvir guitarras sonantes e melódicas que se entrelaçam com sons de loops envolventes, com uma voz cantada em português num timbre bem característico a que José Henrique Almeida nos habituou, tudo isto suportado por ritmos contagiantes e por um baixo bem definido e sensual.
O projeto surge numa fase em que José Henrique, após finalizar as gravações do seu segundo álbum a solo do projeto “JH Lab”, convida alguns amigos com quem tem tra¬balhado noutros projetos e decide voltar ao formato de banda para a concretização e edição deste álbum, exatamente um ano depois da edição do álbum de JH Lab, “A pro¬cura”, bem como para a sua divulgação ao vivo.
Para este álbum, os Resonant decidiram investir a sua criatividade em várias vertentes que podemos considerar experiências bastante bem sucedidas, compondo temas com músicas e letras próprias, o caso de “O monte” e “Os ventos mudaram”, mas também quiseram trabalhar com vários poetas e musicar os seus poemas “Olho-me no espelho dos teus olhos”, “Abraça-me”, “Mulheres e Águas” e “Se o meu corpo fosse um rio”.
Simultaneamente, foram também recuperar temas de alguns projetos antigos de José Henrique que não tinham sido publicados, e desta forma fazer-lhes justa homenagem: “Santa terra do Dão”, dos Seres, “Não me faças chorar”, dos Edelvaisse e “A minha namorada”, dos Poplavk.
O resultado é um álbum repleto de temas extraordinários que enchem o coração de quem se dá ao prazer de os ouvir e deixar-se levar pela sua emoção semeada.
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Texto de: António Leonardo
É um trabalho maravilhoso, etéreo, suave, interligado sonoramente, de paisagens reais, com montes, valados, tojos, giestas, gentes, labuta, que sentem, escrevem, ouvem, vivem, ligam-se e amam-se.
Os textos estão cheios de palavras conjugadas por vários autores que mostram a pele nua, bruta, lasciva, sensual, agreste, romântica que dá aos nossos dias a cor da ressonância da poesia sonora, tão vincada pelos Resonant.
Seria pretensioso classificar o trabalho.
Mas cada tema que se ouve entranha-se na sua audição primeira, não se estranha, apetece descobrir os autores das letras, os sentimentos, as guitarras, os sons, as batidas as múltiplas vozes, que tudo conjugado apraz o ouvinte com suavidade e leveza no quente da vida harmoniosa, trágica, sensual e lutadora.
Se pareciam eternos os minutos ouvidos, tornam-se curtos após o término de cada tema.
Quero ouvir mais, cada mais, outra vez e mais outra, pois não cansa tamanha obra.
“Olho-me no espelho dos teus olhos”,
é uma bela dedicação ao poeta Luís Oliveira realizada pelos Resonant, de sonoridade enérgica, ritmada, corajosa que encaixa na paixão das palavras proferidas refletindo um amor de fronteiras esbatidas.
A alegria de ver os olhos da amante faz-nos visionar o poeta a dançar de regozijo enquanto enaltece o amor abrasador que os une, recíproco, cósmico-marítimo e espiritual-carnal. Brota apaixonadamente uma energia própria. Uma prece íntima funde suavemente os amantes, mas de êxtase arrebatador, até quando partem, sem evasão, o caminho é o destino do amor, mesmo apartados, como se fosse cíclica a chegada partida e o voltar a reencontrar.
“Os ventos mudaram”,
é um tema dedicado a quem regressa metamorfoseado pela vivência dura e crua, mas comoventemente demonstra um cuidado pleno de sentimento.
A distância temporal vincada, entre o homem que foi, ligado àquele que agora é, uma forma conciliadora, resgatado pela esperança que voa e refresca a lembrança.
A mudança foi notória, ganhou a sobrevivência no regresso.
“Santa Terra do Dão”,
é um canto ao mundo rural arreigado à terra, às suas gentes e tradições. Um preito contado pelo próprio camponês que patenteia o ciclo abençoado das gerações.
Esse elo vivo dignifica-se no quotidiano duro, no agradecimento, no conforto da memória, no peso da idade que suporta o silêncio da terra e sofre com os que se aventuraram para outros lugares.
A terra do nosso destino interior apazigua-nos.
“Abraça-me”
é uma carta, que estabelece a ligação de energia que enlaça os amantes no presente e urge o amor antes que falhe a memória.
O abraço é pedido insistentemente no limite da inquietação, pela presença, contacto, conforto, como um remédio, funde-se com os astros e perante a fragilidade da vida tem medo de perder o que os liga.
“Mulheres e Águas”,
a voz feminina eleva-nos a todos os elementos, terra, ar, água e fogo.
A letra tem uma força corporal e ritual no seguimento dos antepassados, celebra a resistência da mulher na labuta, na defesa da família, uma energia revitalizante que germina do corpo, da terra e da dor.
É um retorno ao próprio ser, ao mais íntimo e secreto que vive no silêncio, oprimida, traumatizada, perde-se no tempo e confunde a memória. O trabalho é penoso numa terra corrompida.
Celebra-se o sagrado que edifica a gestação numa contínua fantasia.
Os Resonant veneraram e ampliaram essa génese sem a corromper, através de uma sonoridade etérea e reconfortante.
“Não me faças chorar”,
é uma ode romântica que invoca mágoa ao amor desaparecido.
Como magoa a recordação suja, sempre presente, uma ferida aberta, inaceitável e a ressuscitar constantemente.
“A minha namorada”,
é um tema que descreve um espaço temporal bucólico, representativo da introspeção e renovação, e exalta de forma extasiante a paixão pelo seu ente querido.
O instante é intenso e torna-se mútuo na partilha de sentimentos ao elevar-se com a aceitação dos próprios elementos da natureza.
Magníficas paisagens sonoras.
“O monte”,
este tema tem a natureza como cenário de resistência no fim de ciclo. As rotinas da aldeia não param no tempo. Preparam a chegada do frio, a estação da espera e recolhimento. A beleza do lugar vazio é preenchida pelo vento, pelas memórias que aquecem os poucos habitantes e mantém as saudades dos que partiram. Estes por sua vez, dentro da sobrevivência urbana, alimentam as saudades de regressar.
“Se o meu corpo fosse um rio”,
a música leva-nos para o imaginário erótico diluído em água. Manto de amor envolvente, acolhedor, guarda, protege, vivência sagrada, profundo, íntimo, desejo feito fusão entre dois corpos que navegam amorosamente sem guia e entrelaçados num êxtase carnal.
Os amantes navegam pelo rio, até à foz, para o mar e tocam o céu em todas as cores suaves e quentes, lascivas, selvagens, numa dança sensual e celeste onde os corpos naufragam, dissolvendo-se um no outro.
Mas no final, o tema fica em suspenso, aberto, não acaba, tem um desfecho em espiral, que ecoa como uma onda que vai e volta, um desejo contínuo, sempre insatisfeito, sonhado, mera quimera.
Apetece dizer que os “Resonant” permanecem inteiros no seu caminho.
©2025 Anti-Demos-Cracia (ADC146NOV2025)
Formato: CD + Booklet 24 páginas
Edição de 80 exemplares
Gravação, mistura, produção e masterização: José Henrique Almeida
Fotografias: Vanda Cristina, Maia Amorim, Pedro Pinto, António Caeiro, Catarina Almeida, Sílvia Costa, Nené Faria, José António Carrapato, João Proença
Texto de António Leonardo
Imagens da capa geradas por IA
lançado em 11 de novembro de 2025
https://www.facebook.com/profile.php?id=61563924411275
https://www.facebook.com/Anti.Demos.Cracia
https://anti-demos-cracia.bandcamp.com
https://www.adc-records.com
1. Olho-me no espelho dos teus olhos (3:55)
2. Os ventos mudaram (5:02)
3. Santa Terra do Dão (4:17)
4. Abraça-me (4:36)
5. Mulheres e Águas (5:07)
6. Não me faças chorar (4:27)
7. A minha namorada (4:34)
8. O monte (4:57)
9. Se o meu corpo fosse um rio (2:59)























