Mapa do Site

Último Podcast (14 Out 2017)

Clica para ouvir

Entrevista com Grog

Grog

Entrevista com Galo Cant'às Duas

Galo Cant'às Duas

Entrevista com =Mocho=

Mocho

Entrevista com Stone Dead

Stone Dead

Emissão em Direto (Sádado 12-15)

Clica para ouvir

Uncategorised

404: Não encontrado

O conteúdo que procurava não se encontra disponível.
Se acha que deveria estar, entre em contacto, por favor.

O "Sinfonias de Aço" nasceu a 7 de Novembro de 1992 e é um programa de rádio que emite exclusivamente música moderna portuguesa, qualquer que seja o estilo. Para que não restem mais dúvidas, no Sinfonias de Aço é possível ouvir Hip Hop ou Grindcore, tal como música electrónica ou Punk, tal como Metal ou Pop, tal como Jazz ou World. Basta que seja nacional.
E o Sinfonias de Aço não é um programa exclusivo para a internet. O Sinfonias de Aço é um programa de rádio emitido semanalmente aos Sábados entre o meio dia e as 3 da tarde, em 91.9Mhz, na Rádio Barcelos. Só mais tarde o podcast fica disponível na net. Assim o auditório alvo do Sinfonias de Aço é aleatório e não específico, sendo sempre possível chegar a mais gente. Qual a diferença: em sinal aberto no espectro de FM de radiodifusão é a rádio que chega às pessoas e não as pessoas que vão à procura da rádio. A filosofia do Sinfonias de Aço é essa: todo o público é alvo e não apenas os nichos.

O que é o Sinfonias de Aço?

O Sinfonias de Aço, antes de mais nada, é um programa de rádio de música moderna portuguesa, daqueles à moda antiga que emitem no FM. Fundado a 7 de Novembro de 1992, actualmente é emitido aos sábados, na Rádio Barcelos, em 91.9Mhz, entre o meio dia e as 3 da tarde. No FM ouve-se no litoral norte. Quem não puder ouvir aí, pode ouvir aqui mesmo no site em directo ou mais tarde em podcastO site onde estão agora é uma extensão ou plataforma de apoio ao programa. Por estar online a tempo inteiro alberga conteúdos que podem não ser possíveis de figurar em rádio. O resto explica-se mais abaixo.

Nota: os mais novos podem perguntar aos progenitores o que é um rádio e deve haver mais do que um lá para casa e mesmo no carro. Não precisa de actualizações de software, não crasha e só precisa de uma antena e electricidade. Garanto-vos que toca tudo sem precisar de plugins de mp3, wav, flac ou aiff. Um mimo. Faz lembrar um Morris Mini (perguntem aos papás o que é também), cuja mala de ferramentas é constituída por 3 peças: um martelo, um alicate e meio metro de arame. Ora, rádios e Morris Mini ainda existem, imaginem vocês. Tal como programas de rádio e é isso mesmo que o Sinfonias de Aço é em primeiro lugar.

Termos e Condições
  • O Sinfonias de Aço é um programa de Música Moderna Portuguesa essencialmente de cariz independente e sem distinção de estilos. É possível ouvir hip hop, metal, pop, electrónica, punk, jazz, hardcore, garage ou world, entre muitos outros. Por independente entende-se a postura artística dos autores, sem imposições de estilos ou calendário por parte das editoras.

  • O Sinfonias de Aço divulga exclusivamente música da autoria de músicos nacionais radicados em qualquer parte do mundo, ou músicos estrangeiros radicados em Portugal.

  • Todo o material recebido pelo programa merecerá presença nas suas playlists, com prioridade óbvia para as cópias físicas, que também terão direito a uma ficha a incluir no site.

  • Sempre que possível, o Sinfonias de Aço efectua entrevistas, as quais depois de emitidas, ficam disponíveis no site, sempre em formato audio. As entrevistas são sempre editadas sem cortes. Nenhuma parte do discurso dos entrevistados é omitida, a menos que os próprios o solicitem.

  • O Sinfonias de Aço não efectua entrevistas em modo texto.

  • O Sinfonias de Aço não é um site de reviews, reportagens ou notícias. Não é uma opção editorial ou um modelo de escolha, mas tal resulta apenas da indisponibilidade de tempo do seu criador. O projecto é da autoria de uma única pessoa há meio século a transformar oxigénio em dióxido de carbono.

  • Os conteúdos disponíveis no site são apenas para uso online. Não é permitido o download de faixas audio ou video.

  • Qualquer tentativa de hotlinking, sempre que detectada, será alvo de imediato bloqueio ao nível de servidor.

  • Todo o tráfego no site é internacional, efectuado a partir do datacenter de Provo, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

  • Para contactarem o Sinfonias de Aço devem utilizar o formulário na secção "Contactos" ou usar uma das vias alternativas. Para prevenir varrimentos de spammers, o Sinfonias de Aço não divulga nenhum dos seus emails online.

O proto-Sinfonias de Aço

As palavras Sinfonias e Aço, só por si e isoladas, já transmitem força e impacto. Juntas soa ainda mais potente e o objectivo era mesmo esse. Além disso gostei do nome. Acho que soa bem, dito em rádio. É um nome com uma música muito própria.

Sinfonias de Aço também porque originalmente, em 1989, este programa misturava rock com música clássica. Não se assustem: era um programa de rock, com voice talk em cima de trechos de música clássica, coisas fortes e bem marcadas das sinfonias e obras mais conhecidas da chamada música clássica (que inclui também a música barroca e romântica). E acreditem que esses trechos são um belo tapete para se falar de improviso. São uma espécie de carril por onde um comboio veloz desliza. A ideia não era minha: o Alan Freeman da BBC fazia o mesmo. Pois: já em 1989 não restava mais nada para inventar em rádio. É verdade.

Alan Freeman? Sim, aqui fica um intro de um dos seus programas:

Mas, espera lá, eu não disse antes que o programa foi fundado a 7 de Novembro de 1992 e agora venho com o ano de 1989? Vamos lá tratar de esclarecer tudo. O Sinfonias de Aço original data de 1989 e era o tal programa de rock que ia até ao metal e usava trechos de música clássica. Tinha duas versões: uma mais pesada (do punk ao metal) nas noites de terça e outra mais abrangente (que ia do rock alternativo ou indie até ao psicadélico) nas noites de sábado para domingo. Mas só durou 4 meses e depois acabou porque eu saí da rádio. Estava na Rádio Cávado, em Barcelos.

Pronto, agora é que é mesmo o Sinfonias de Aço

Sensivelmente dois anos mais tarde voltei à rádio para trabalhar na área de desporto e comecei a sentir saudades de fazer um programa de música. Mas decidi que não queria fazer mais nenhum programa igual a tantos que se faziam por aí. Que interesse tinha mais um a passar os Pink Floyd, Cocteau Twins, Sex Pistols, AC/DC, The Cure, ou Led Zeppelin? Não, eu queria passar coisas que as pessoas nem imaginavam que existia. Eu queria virar Barcelos do avesso. Desconfiava que não iria conseguir, mas estava enganado.

O programa foi proposto à direcção. Uma coisa arrojada: só bandas portuguesas, só trabalhos não editados e tudo em cassete demo. Qualquer pessoa sensata me acharia louco, mas pior ainda quando pedi duas horas semanais. Ninguém acreditava que eu tivesse ou conseguisse arranjar material para isso, mesmo repetindo imensas coisas frequentemente. Isso é o que iríamos ver.
Para não meter a cabeça num cepo, tratei de estabelecer uns contactos para começar a colectar material e juntar ao que já tinha que me tinha sido cedido por alguns colaboradores de outras rádios, entre elas a Rádio Comercial, ainda empresa pública de comunicação, bem antes da privatização. Outros contactos foram directos aos artistas e muito material chegou antes da primeira edição a 7 de Novembro de 1992.

excerto colecção de demos
Excerto da colecção de demos em cassete do Sinfonias de Aço

Eram duas horas semanais, aos sábados entre as 19 e as 21 horas. Nos primeiros meses, exclusivamente com som em cassete demo, nenhuma delas editada. Afinal, o programa trazia para a superfície uma fatia do underground e os colegas da rádio ficavam a saber que existe mais mundo para lá do que a vista alcança e atrás do cinescópio de um televisor - na altura não havia monitores planos nem nos filmes de ficção científica.

Só que nessa altura o hóquei em patins dava cartas em Barcelos, a rádio acompanhava as equipas locais (que eram duas), os horários coincidiam e, para ajudar à festa, o coordenador das reportagens era eu mesmo. Ou seja, à hora a que devia estar a fazer o Sinfonias de Aço, estava a relatar uns artistas a dar bengaladas na bola de vez em quando e nos adversários quase sempre. Então acordou-se que o programa passaria para o espaço entre as 13 e as 15, mesmo na altura em que as donas de casa estão a servir as migas. De vez em quando era o futebol que abalroava as coisas com uma transmissão, mas era coisa rara. O programa começava, semana a semana, a afirmar-se. Nem eu me dei conta que nesse preciso momento a famosa cena musical barcelense começava a dar os primeiros passos. De repente, como quando acordamos numa estação ou num aeroporto, todo o cenário mudou à nossa volta. Barcelos tinha cada vez mais bandas e mais consistentes e a primeira coisa a fazer era gravar uma tema para passar no Sinfonias de Aço. Era uma boa táctica: quem quisesse mostrar, era por aí mesmo que fazia, sem ter de gravar cassetes para toda a gente. Na segunda-feira seguinte, na escola, discutia-se o que tinha passado no sábado. E isso incentivava mais gente a evoluir e a gravar. Quase sem me aperceber, as bandas começam a aparecer-me nos estúdios, a entrar pela rádio dentro, a estar literalmente dentro do programa. E não só gente de Barcelos, mas a rapaziada de Barroselas, bandas do Porto, Viana do Castelo, Braga e outras localidades onde se ouvia a rádio.

Os estúdios da Rádio Cávado, então entre uma Escola Secundária e uma zona de bares, passam a ser ponto de encontros combinados aos sábados à tarde. Às vezes eram mais de vinte pessoas na rádio, na sala mesmo ao lado do estúdio, a discutir música, a combinar ensaios e concertos, ou a formar bandas. Ao mesmo tempo ouviam o programa em directo. Alguns, mais impacientes, entravem pelo estúdio dentro para saber quem estava a passar e de onde eram. Não queriam sequer esperar dois minutos para eu anunciar na rádio. Dei-me conta da força do programa e da sua ligação intrínseca à cena barcelense. Sem internet e sem contactos privilegiados para conhecer à distância o que se fazia no resto do país, as bandas barcelenses levavam uma vantagem: comigo sabiam o que os outros andavam a fazer porque ouviam no programa. Através deste fenómeno, houve parcerias entre bandas de Barcelos e de outras localidades, houve contactos com editoras, concertos que foram possíveis e vias de divulgação abertas. Internet? Quase ninguém tinha e mesmo o que havia, bem podem esquecer os conteúdos multimédia. Os modems em cima de linhas telefónicas tinham 16 ou 28.8K e isso era o mesmo que dar um salto a Paris por uma estrada romana na Idade Média. Foi um período interessante, mas acabou ao fim de alguns anos.
A direcção da rádio mudou e as novas pessoas não entenderam esta realidade. Não perceberam que o Sinfonias de Aço e a realidade musical barcelense era maior do que elas e começaram a impedir os músicos de entrar nas instalações. E à proposta de me oferecerem mais horas de airplay, contrabalançaram com violação de correspondência e uma perseguição de fininho que, de todo não percebi até aos dias de hoje. Nem quis perceber: abandonei a rádio antes de me chatear ainda mais.

Logo de seguida surgiu a oportunidade de transferir o programa para a outra rádio de Barcelos, precisamente a Rádio Barcelos. E calhava bem, porque o mesmo horário estava prestes a ficar livre. Mais ou menos: blocos informativos que pareciam o "Expresso" em formato audio e mais publicidade que a secção de massagens do JN deixavam-me livres pouco mais de 50 minutos de 120 iniciais. Não aceitei e propus 3 horas na noite de sexta para sábado, sem publicidade, notícias ou sinais horários. Proposta aceite e um desafio: podia fazer até as 7 da manhã (por acaso nunca estiquei tanto). O Sinfonias de Aço entrava numa nova era, agora com imenso tempo de airplay, mas com um auditório diferente. A malta dos copos e da noite ouvia em trânsito e os ouvintes mais fieis eram os que trabalhavam. E eram alguns, que ligavam para a rádio e mandavam mensagens. Andei uns anos assim, mas a rádio nunca foi a minha actividade principal e, verdade seja dita, ao fim de uma semana de trabalho, o cansaço começava a apoderar-se da carcaça cada vez mais velha. Já havia proposto trazer o programa para a tarde, mas a direcção recusou de imediato. Só que o Sinfonias de Aço é teimoso e paciente e com a mudança de mãos da Rádio Barcelos e a nova direcção, a proposta partiu deles: trazer o programa para a tarde, com as mesmas 3 horas de emissão. Obviamente que não são 3 horas úteis, porque há publicidade, notícias e sinais horários, mas a raposa velha sabe que tem de atacar noutra frente. A internet mudou tudo, quem souber e quiser, sabe o que procurar sem esperar por um programa de rádio, mas eu conheço os segredos todos da rádio e sei que a rádio atinge um público aleatório. É esse público que eu quero trazer de volta: a dona de casa que está na lide doméstica, o picheleiro que vai fazer um biscate, o barbeiro que ainda nem se lembrou de mudar de rádio, o tipo que está a lavar o carro ou o padeiro que no dia anterior deixou o rádio em 91.9Mhz para ouvir o relato do futebol. São esses que porventura ainda não conhecem muito do que eu passo em rádio e são esses e todos os outros mais informados que eu quero alcançar. Todos, sem excepção, de todas as idades e de todos os gostos musicais. Podem desligar ou ficar quando quiserem. Nunca me preocupei com valores absolutos de auditório. E, pelos vistos, os artistas também não. Continuo a receber mais material do que aquele que consigo divulgar. Com jeitinho vai cabendo toda a gente e com jeitinho o Sinfonias de Aço leva 22 anos no activo. Não é simples nem difícil. É assim mesmo.

Eu e a rádio? Se tiverem um tempinho, explico

Sabem uma coisa? Há 3 carros que marcaram a minha infância. E eram todos comerciais, ou carrinhas ou, como se dizia na altura, furgonetas. Nós tínhamos um pequeno negócio e as carrinhas eram essencialmente de trabalho. A saber: uma Fordson E83W, uma Peugeot D3A e uma Citroen 2CV. Obviamente não tenho fotos delas, mas reproduzo o retrato de outras iguais.

Citroen, Peugeot e Fordson
Citroën 2CV Van, Peuget D3A e Fordson E83W - quando os carros não eram maricas

Comum nestas 3 viaturas era o facto de não terem mariquices nem modernices, como ar condicionado, direcção assistida, vidros eléctricos, GPS, cruise control e... rádio. Nem os carros dos ricos tinham isso, com excepção do rádio. Aí sim, lembro-me de ver uns Mercedes que tinham rádio e que a mim me pareciam viaturas medonhas, porque tinham a frente igualzinha às ambulâncias. Mas, na infância de finais dos anos 60 fazia-me muita confusão um carro andar por aí com um rádio a tocar sem um fio ligado à parede. Como fazia confusão ver alguém na rua a ouvir um relato do Artur Agostinho. Já achava normal ele tocar se tivesse um fio ligado à parede. Pronto, não fazia a mínima ideia do que eram as ondas de rádio, mas não fico triste, porque nos dias de hoje há ainda muita gente que também não sabe e eu nessa altura tinha uns 6 ou 7 anos.

Ora, um rádio com um fio ligado na parede, já fazia todo o sentido e tinha a sua lógica para mim. E lembro-me como se fosse hoje quando veio um aparelho de rádio lá para casa. Era um Grundig de 4 bandas (onda longa, onda média e duas de onda curta). O rádio só tinha 3 botões mas, mesmo assim, o homem da loja veio explicar muito bem como funcionava. No primeiro botão liga-se, desliga-se e põe-se mais alto ou mais baixo – percebi logo à primeira; no segundo botão escolhem-se as emissoras (Emissora Nacional, Rádio Renascença, Rádio Clube Português) – não percebi tão bem, mas deu para ficar a saber que havia várias opções e podia-se escolher o que se queria ouvir. E era tudo, pronto. Mas um puto novo e reguila tinha visto o terceiro botão e toca a perguntar. Resposta: “nesse não se mexe”. Achei estranhíssimo que uma fábrica de rádios fizesse um aparelho com 3 botões, sendo que um deles não era para usar e, pior do que isso, havia mesmo ordens para não mexer naquele. Uma coisa sinistra, acho que vocês concordam. Durante muito tempo nem liguei àquilo, mas à medida que fui crescendo, a curiosidade apoderou-se de mim. Não havia notícias de alguém ter morrido ou ficado entrevado por mexer no 3º botão do rádio, nem era suposto a fábrica alemã ter um botão cuja funcionalidade seria estragar o rádio. Mas as ordens eram mesmo para não mexer, não era a mesma coisa que “este é o botão misterioso que a Grundig pôs no rádio, mas que não serve para nada”. Ainda por cima,se a ordem era para não mexer, é porque ele servia para algo. Um dia, num arremedo de loucura, enchi-me de coragem e toca a investigar o botão. Tinha 4 posições: LW, MW, SWI e SWII. Ora, era a mesma coisa que estava escrito nas escalas em cima por onde se mexia um traço vermelho quando se escolhiam estações. E mais: tinha lá um ror de números escritos e até o nome de algumas cidades, como Paris, Munique ou Luxemburgo. Eu já na altura sabia que isso era no estrangeiro, que era de onde vinham as pessoas loiras e com roupas coloridas no verão. Então por isso a ordem de não mexer: aquele botão era para ouvir rádio quando se estivesse no estrangeiro. Eu estava quase a descobrir o bosão de Higgs, quando me surgiu um problema de dificil resolução: como raio é que o rádio sabia se eu estava em Portugal ou no estrangeiro? Não, a verdade não estava toda contada sobre o botão e eu era menino para não descansar enquanto não descobrisse. Vai daí, um dia apanhei o rádio a jeito e enchi-me de coragem. Se estragasse alguma coisa, não me cortava e ninguém iria desconfiar que um menino tão bem mandado tinha mexido no botão de ouvir no estrangeiro que avariava se não estivesse no estrangeiro. Então, toca a respirar fundo e verificar onde eu podia mexer. O botão estava em MW, à esquerda tinha LW e à direita SWI e SWII. Comecei por rodar para a esquerda e... nada. Silêncio absoluto. Se tivesse feito merda, voltava a pôr em MW, saía de fininho e ninguém saberia. Mas depois lembrei-me de mexer no botão do meio (o que fazia a sintonia). Pouco mais adiantei. Silêncio e mais silêncio, até apanhar uns ruídos de fundo, uma música muito baixinha e um tipo qualquer a falar estrangeiro. Se era aquilo que os estrangeiros faziam,então pobres desgraçados, bem eles faziam em vir até cá no verão para ver um bocado de vida. Voltei a pôr em MW, depois rodei para SWI e ouvi logo mais qualquer coisa, mas muito confuso. Rodei a sintonia e, voilá!, começam a aparecer vozes aos pontapés e músicas esquisitas sem nunca mais acabar. Tudo estrangeiro e rapidamente refiz a imagem que tinha deles. Eram às pazadas de coisas diferentes. Depois rodei para SWII e ainda tinha mais coisas. Era de um homem se perder com tamanha escolha de vozes a falar estrangeiro e músicas que eu nem imaginava que existiam. Fiquei logo fascinado com aquilo, voltei a pôr como estava em MW e prometi a mim mesmo que esta descoberta ficava em segredo e iria explorar isto quando tivesse mais oportunidades de descobrir aquela pequena maravilha que estava ali à minha mercê e cuja dádiva me havia sido sonegada.

Radio
Mostrador de um rádio clássico com 11 bandas: 1 Onda Longa, 1 Onda Média, 8 Onda Curta e 1 FM

Inicialmente pensei que a SW era uma espécie de cana telescópica que ia buscar as coisas mais longínquas e a MW era para o que estava mais perto. Estava errado, claro. A minha dedução de que as SW (shortwave, ou ondas curtas) eram as rádios nacionais no estrangeiro estava errada. Rapidamente descobri que, salvo raras excepções como à noite em MW e LW (medium wave e long wave, ou onda média e onda longa), as emissões que eu ouvia não eram locais ou nacionais, mas internacionais. Ou seja, o que eu ouvia em SW era emitido de lá longe para mim. Aquilo eram emissões internacionais, na maioria dos casos para fora do país e com duas finalidades: nas línguas nacionais para os cidadãos desse país no estrangeiro, ou nas línguas de destino para cidadãos estrangeiros. Explico: a RDP, por exemplo, emitia com dois serviços, a RDP internacional para os nossos emigrantes e a Rádio Portugal, em línguas estrangeiras para os cidadãos dos diversos países dessas línguas. A finalidade era promover a nossa cultura, o nosso turismo, a nossa música e informar sobre o que cá se passava. E os outros faziam o mesmo, por isso eu ouvia imensos serviços em português a partir de imensos países. E ouvia também serviços em espanhol para toda a América Latina. O auditório era baixo, como se supõe, mas o que existia era fiel e interessado. A mim fascinava-me ouvir as notícias em espanhol das rádios europeias e saber que na noite europeia e à mesma hora, alguém na Venezuela ou no Equador ouvia o mesmo que eu, mas de dia.

Mapa de cobertura da RDP InternacionalMapa de cobertura da RDP Internacional

Eu ouvi imensas coisas que fui descobrindo para me pôr em contacto com o mudo. O desporto nunca me falhava. Através da Rádio France International soube da vitória do Joaquim Agostinho no Alpes d'Huez; Pela Rádio Internacional da Amazónia acompanhei todo o Mundialito do Uruguai, em Montevideo, em 1980, através do relato do José Carlos Araújo, num relay da Rádio Globo; pela Rádio Internacional do Chile ouvi a vitória de Portugal sobre a campeã Argentina por 8-2 no mundial de hóquei em patins de 1980, em Santiago. Uma hora depois a RDP ainda não sabia do resultado e eu refastelado em casa. E tanta, tanta coisa que eu sabia sempre em directo. Presenças em troféus das equipas portuguesas, em Milão, no Teresa Herrera, em Paris, etc.; grandes prémios de Fórmula 1 e... a Premier League que eu acompanhei tantas vezes, entre muitas outras coisas.

Radio
Um aparelho vintage de 4 bandas

Só que estávamos em plena guerra fria e a onda curta era massivamente usada como propaganda de ambos os lados: do Leste, inúmeras rádios com propaganda comunista, com a Rádio Moscovo à cabeça com os seus 1 milhão de watts, que a tornavam a rádio mais potente do mundo. No tempo do Estado Novo fora uma boa fonte de informação anti-fascista. Do lado de cá, propaganda capitalista através das rádios nacionais, com a Rádio Europa Livre à cabeça, mas também a BBC Internacional, Voz da Alemanha ou Voz da América, entre muitas outras. Foram tempos incríveis.

FaixaFrequênciaUsado em:
160 m 1800 - 2000 kHz utilizada por radioamadores
120 m
90 m
2300 - 2495 kHz onda tropical
90 m 3500 a 3800 kHz utilizada por radioamadores
80 m 3200 - 3400 kHz onda tropical
75 m 3900 - 4000 kHz utilizada por radioamadores
60 m 4750 - 5060 kHz onda tropical
49 m 5900 - 6200 kHz muito utilizada nas Américas
40 m 7000 - 7300 kHz utilizada por radioamadores
31 m 9400 - 9900 kHz uma das mais usadas no mundo
25 m 11600 - 12100 kHz muito utilizada nas Américas
22 m 13570 - 13870 kHz bastante usada na Ásia e na Europa
20 m 14000 - 14300 kHz utilizada por radioamadores
19 m 15100 - 15800 kHz  
16 m 17480 - 17900 kHz  
15 m 18900 - 19020 kHz utilizada em transmissão DRM
15 m           
13 m
21450 - 21850 kHz          
21000 a 21300 kHz
utilizada por radioamadores
11 m 25600 - 26100 kHz utilizada em transmissão DRM local          
11 m 26960 - 27860 kHz utilizada para a Banda do Cidadão
10 m 28000 - 29700 kHz utilizada por radioamadores

Mapa de comprimentos de onda e utilizações mais comuns

E foi também nesta altura que percebi a terminologia utilizada para diferenciar a onda longa, onda média e onda curta. Tinha mesmo a ver com o comprimento de onda da radiação, inversamente proporcional à frequência. Frequências muito altas, comprimentos de onda baixíssimos; frequências mais baixas, comprimento de onda alto, até às centenas de metros. E eram mesmo assim, em metros reais que a radiação se media, isto no espectro das ondas de rádio. Mas havia ainda o FM, as ondas de televisão em UHF e VHF e outras mais. Percebi depois que cada gama de frequências tinha uma finalidade e características técnicas. Umas eram usadas em determinados pontos do globo, outras era de sinal fraco mas boa propagação, outras de sinal bom, mas com pouco alcance e cada uma tinha a sua especificidade. Determinadas frequências era para uso exclusivo militar, outras pelas polícias, outras pelos bombeiros, outras pela marinha comercial, outras pelos radioamadores, etc. Tudo devidamente regulamentado. E eu, adolescente, espalhara fios pelo telhado e ouvia literalmente tudo em casa. Guardo ainda algumas gravações preciosas.

E fui ainda mais longe: escrevi às rádios, tornei-me correspondente técnico e enviava relatórios técnicos de recepção. Na volta do correio, recebia cartões QSL, galhardetes, lembranças dos países, publicações, etc. Um puto correspondente da Rádio Praga, Radio South Africa, Deutsche Welle, BRT, Radio Nederland e, entre muitas outras, ...Voz da América e Rádio Moscovo. Em grande.

E um segredo que me fascinava: o jazz de New Orleans que eu ouvia, assim como a bossa nova do Rio ou a música árabe de Bagdad, eram emitidos para a ionosfera e reflectidos para a Terra. No caso das transmissões intercontinentais do continente americano para o europeu era emissor → ionosfera → Oceano Atlântico → ionosfera → Europa. Ou seja, as ondas de rádio faziam um “M” através de meio mundo para chegar ao meu rádio. Maravilha.

Esquema de refracção na ionosfera

Nas aulas de Física, descobri que, afinal, as ondas de rádio não são mais que um nicho dentro das radiações, onde também estão as microondas,  os raios X, raios gama e a luz visível e invisível, do infravermelho ao ultravioleta. Se a frequência da onda média é diferente da onda curta, também a frequência do azul é diferente do vermelho e por isso nós vemos cores diferentes. Na verdade, o que existe são comprimentos de onda e frequências diferentes, mas não há cores nenhumas na Natureza. O nosso cérebro é que as inventa. Desculpem se vos desiludi.
O Espectro EletromagnéticoExplorada a imensa música das mais diversas latitudes, percebi depois que a onda média e a onda longa que eu ouvia bem à noite, essa sim, era proveniente de emissões nacionais. Foi aí que descobri a mais fascinante e romântica rádio que alguma vez existiu e que emitia de um barco de nome Ross Revenge, no Canal da Mancha, em águas internacionais - a rádio mais amada por qualquer entusiasta: Radio Caroline. Aqui fica uma colecção de jingles para fazer roer de inveja os nados depois da década de 80 (convém dizer que esta rádio foi fechada e o barco apreendido pela marinha inglesa ilegalmente em águas internacionais, ao serviço de sua maiestade, a pátria da - como se diz? - democracia, acho que é isso).



Mas também ouvi a BBC, com o John Peel, o Alan Freeman ou o Tommy Vance. Velhos senhores que me meteram a febre da rádio infectada com o vírus da música. E também os havia em Portugal. Sem merdas, Aníbal Cabrita, Júlio Isidro, Luís Filipe Barros e António Sérgio, entre muitos outros, são influências minhas, como é evidente.

Posto isto, não faltou muito até haver vontade em experimentar se, afinal de contas, eu tinha o mínimo de jeito para realizar rádio ou se era um simples azeiteiro e devia desistir. A melhor forma de aprender: ouvir os profissionais e, sem os imitar, procurar fazer como eles e aprender – acho que muita gente não faz isso hoje em dia. Com o eclodir das rádios livres e programas de autor em meados da década de 80, surgiram os locutores e realizadores como bichos de conta. Mas eu não. Demorou um bocado até eu lá chegar, mas antes disso já tinha treinado imenso em casa a gravar simulações de locução para cassetes. Não fosse a teimosia e tinha desistido da primeira vez que me ouvi – bolas, eu era grotesco. Mas tive a capacidade de me ir corrigindo, de perder o tesão de microfone, de aumentar o poder de síntese... mas sem ter uma grande vontade de fazer rádio a sério, apesar de em Barcelos elas já emitirem.

Uma dessas rádios tinha na altura um programa dedicado aos sons mais pesados e como eu sempre ouvi de tudo, tinha alguns discos que a generalidade das pessoas nem sabia que existiam (vantagens de se ouvir o “Som da Frente” e o “Lança Chamas” do António Sérgio ou o “Friday Rock Show” do Tommy Vance). Então, eu e um amigo propusemos emprestar uns disquitos ao homem para que ele não passasse a vida a pôr sempre a tocar a mesma coisa. Só que o homem estava de saída da rádio e as coisas pareciam acabar ali, até que alguém da rádio propôs que ficássemos nós nós com o programa. Ora, a cigarra tinha treinado em casa e quando fiz a primeira prova, fiquei logo à experiência, mas no ar, assim atirado às feras. Saí ileso e o meu assistente optou por não fazer locução. O programa manteve-se, mas agora com outra realização e umas sacadas valentes de discos diferentes. Pouco tempo depois, uma zanga parva fez com que eu me separasse do meu colega e fiquei sozinho com o programa. Mas, como eu não queria só passar hard & heavy, comecei com outro programa, mais alternativo. Chamava-se “Multirock” e surgiu na mesma altura em que as caixas multibanco apareciam como Ferraris no Vale do Ave. E depois outro, à sexta à noite, o “Laranja Mecânica”, que me fez perceber que a generalidade das pessoas não sabia quem era o Anthony Burgess ou o Stanley Kubrik. Alguns associaram ao PSD e à selecção holandesa de futebol. A propósito disso, eu também já fazia desporto nesta rádio como um burro de moleiro carrega farinha. Fomos os primeiros a fazer relatos de hóquei em patins, na altura em que os clubes barcelenses começavam a dar nas vistas. Depois seguiu-se o futebol. Não éramos bons a fazer rádio nem a rádio era boa, mas era feita com entrega total. A rádio tinha um nome horrível, chamava-se Rádio Atlântida.

Depois, saí. Estava a ficar cansado, queria mais tempo para mim. O Cavaco mais tarde fechou as rádios todas, depois criou-se a lei da rádio e abriram outras legais em 1989. Em Barcelos ficaram duas e eu fiquei na Rádio Cávado, onde fiz desporto e... o Sinfonias de Aço. Ou antes, o proto-Sinfonias de Aço. Acho que já vos contei essa história. Quando for mais velhinho, vocês trazem uma garrafa de uísque velho, sentam-se à lareira e eu conto algumas histórias engraçadas. Combinados?

Para já, uma conclusão óbvia fruto de uma experiência de 22 anos no ar: o Sinfonias de Aço é uma brutal máquina de fazer amigos.

(Manuel Melo, Outubro de 2014, D.C.)

Em implementação. Mais notícias em breve...

  • Início
    Nada mais simples: a página de entrada no site.
  • Playlists
    Antes de ser um site de música portuguesa, o Sinfonias de Aço é um programa de rádio, emitido no FM (Rádio Barcelos, em 91.9Mhz), aos Sábados, entre o meio dia e as três da tarde. Nesta secção podem encontrar as playlists dos últimos anos, sendo que nos últimos meses estão também disponíveis os respectivos podcasts, para audição. Se quiserem saber se a vossa banda ou uma banda conhecida está incluída, devem procurar aqui ou fazer uma busca geral no site.
  • Entrevistas
    Todas as entrevistas com artistas feitas nos últimos anos disponíveis para audição. Podem ordenar por ordem alfabética ou cronológica, em lista ou em entradas de artigo. São imensas e são autênticas, todas com as vozes dos artistas e sem edições ou declarações fora de contexto.
  • Barcelos - Rock City
    Há quem diga que é a cidade do rock, como lhe chamaram a Seattle portuguesa no passado. A verdade é que a cena barcelense caminha para 20 anos de intensa actividade, o Sinfonias de Aço é barcelense e tem orgulho em estar associado a este fascinante movimento. Como os arquivos são vastíssimos, este é o local onde a cena barcelense é exposta, seja do passado ou do presente.
  • Memória
    Arquivos. Maquetas antigas, concertos, coisas únicas, sejam ao vivo ou em estúdio. Raridades e legados da música moderna nacional das últimas décadas. Queres recordar uma maqueta que perdeste ou um concerto onde estiveste? Pode ser que o Sinfonias de Aço tenha e te ajude a matar saudades. Tudo para ouvir, que é como funciona a música.
  • Rockastru's
    A amizade com o staff e a produção do Rockastru's é muito antiga. Fruto disso, o Sinfonias de Aço tem, em exclusivo e integralmente, as últimas sete edições deste concurso do antigo Kastru's Bar e do agora Kastrus River Klub, em Esposende. São dezenas de horas de concertos ao vivo.
  • Videoclips
    Secção muito anterior às plataformas de videos na internet, como o Youtube. Lá estão muitos videos que o Youtube não tem, alguns mais antigos e outras raridades. Tudo videoclips oficiais. Esta secção está em fase de reformulação, uma vez que as actuais plataformas permitem alojamento e interacção que anteriormente não era possível. Mas dos nossos exclusivos o Sinfonias de Aço não abre mão. Alguns só se encontram mesmo por aqui.
  • Edições
    São os últimos discos que vão chegando ao programa em formato físico. Todos os que chegarem vêm cá ter, mais tarde ou mais cedo - depende mesmo do tempo disponível para actualizações.
  • Foi Portugal
    Rubrica do amigo e colaborador Hugo Ferro para o Sinfonias de Aço. São dezenas de artistas e temas das últimas décadas da música portuguesa, acompanhadas de descrição sobre cada um. Uma secção imperdível para perceber este fenómeno a nível nacional.

Rubrica da autoria de Hugo Ferro para o Sinfonias de Aço e emitida entre 2009 e 2011 - e que volta quando ele quiser.
São 64 crónicas com outros tantos nomes da história do rock e pop nacional das últimas décadas. Se preferirem, são 64 documentos da música jovem produzida neste país ao longo das últimas décadas.

Para ouvir, basta "clicar" no nome da Banda/Artista (ou em alternativa ir para o fundo e tocar no player alternativo, em playlist e 100% compatível com todos os dispositivos).

# Banda/Artista Tema Emitido a
1 Zeca do Rock Sansão Foi Enganado 3 Janeiro 2009
2 Xutos & Pontapés Sémen 10 Janeiro 2009
3 UHF Cavalos de Corrida 17 Janeiro 2009
4 Quarteto 1111 Bisaide 24 Janeiro 2009
5 António Variações Toma o Comprimido 31 Janeiro 2009
6 NZZN Vem Daí 7 Fevereiro 2009
7 Quarteto Académico Train 14 Fevereiro 2009
8 Manuela Moura Guedes Foram Cardos, Foram Prosas 21 Fevereiro 2009
9 Taxi Chiclete 28 Fevereiro 2009
10 Adelaide Ferreira Baby Suicida 7 Março 2009
11 Emílio e a Tribo do Rum Rock das Caveiras 21 Março 2009
12 Sheiks Missing You 28 Março 2009
13 Censurados Censurados 4 Abril 2009
14 Os Ekos Esquece 11 Abril 2009
15 Beatnicks Back In Town 18 Abril 2009
16 Grupo de Baile Patchouli 2 Maio 2009
17 Os Claves Keep On Running 9 Maio 2009
18 Mão Morta E Se Depois 16 Maio 2009
19 Aqui D'el Rock Há Que Violentar o Sistema 23 Maio 2009
20 Perspectiva Lá Fora a Cidade 30 Maio 2009
21 GNR Portugal na CEE 6 Junho 2009
22 Os Chinchilas I'm A Believer 13 Junho 2009
23 Objectivo This Is How We Say Goodbye 20 Junho 2009
24 Heróis do Mar Amor 27 Junho 2009
25 Lulu Blind Rita Hot Pussy 11 Julho 2009
26 Tédio Boys Electricity 25 Julho 2009
27 Rádio Macau O Anzol 5 Setembro 2009
28 Radar Kadafi 40º à Sombra 12 Setembro 2009
29 Os Tártaros Tartária 19 Setembro 2009
30 Os Demónios Negros Slow Down 3 Outubro 2009
31 Xutos & Pontapés Som da Frente 7 Novembro 2009
32 Mata-Ratos A Minha Sogra é Um Boi 14 Novembro 2009
33 Pop Dell'arte Juramento Sem Bandeira 5 Dezembro 2009
34 77 Happy Days 5 Dezembro 2009
35 Conjunto Académico João Paulo Hully Gully do Montanhês 12 Dezembro 2009
36 Os Inflexos Uma Velha Foi à Feira 26 Dezembro 2009
37 Crise Total Foi Portugal 2 Janeiro 2010
38 Ornatos Violeta Punk Moda Funk 16 Janeiro 2010
39 M'as Foice Coca-Cola Billy 23 Janeiro 2010
40 Zen U.N.L.O. 27 Fevereiro 2010
41 Tara Perdida Sex'oral 6 Março 2010
42 Renegados de Boliqueime Troco Deu$ Por Uma Cerveja 13 Março 2010
43 Peste & Sida Acordas P'la Manhã 20 Março 2010
44 Os Blusões Negros Tequilla 10 Abril 2010
45 Subcaos Weakness 8 Maio 2010
46 Daniel Bacelar Marcianita 15 Maio 2010
47 Acromaníacos A Hóstia Sexy do Padre Frederico 5 Junho 2010
48 FM Estou Farto 19 Junho 2010
49 Albatroz O Júlio é Um Duro 3 Julho 2010
50 Radar Kadafi 40º à Sombra 31 Julho 2010
51 Pigs In Mud Around (Running Around) 18 Setembro 2010
52 Tantra Alquimia da Luz 25 Setembro 2010
53 TNT Tudo Bem 2 Outubro 2010
54 Repórter Estrábico John Wayne 16 Outubro 2010
55 Santa Maria, Gasolina em Teu Ventre El Pasao 23 Outubro 2010
56 Filarmónica Fraude O Menino 13 Novembro 2010
57 Tu Metes Nojo Passatempo 27 Novembro 2010
58 Ik Mux Novo Estado Novo 25 Dezembro 2010
59 Les Fanatics The Spotnik Theme 8 Janeiro 2011
50 Paulo Pedro Gonçalves Rapazes de Lisboa 22 Janeiro 2011
61 Samurai Sexo no Chão 5 Fevereiro 2011
62 Sppeds Today Is Not A Good Day 19 Fevereiro 2011
63 Damas Rock Sabotagem 5 Março 2011
64 Manifesto Aos Domingos Vou à Bola 12 Março 2011

Player alternativo e 100% compatível:

Parcerias

 
A Trompa NAAM  

Parcerias Software Livre Audio

 
Rivendell - Radio Automation Mixxx - Free DJ Mixing Software Paravel Systems Tryphon